Estranha sensação de cada dia
O peito se espremendo pra sair o azedo
Intoxicando o desejo
Desejo?
Não o sei
Sei que sinto
Mas não suprimo com o deserto alheio
Latente na carne
Ando não sei pra onde
Parar nem onde devo sei
No mesmo lugar já não está aquela porta
O caminho...
Nem a névoa o deixa deixar de existir
Sabe estar sem doer os pés
Não estar quando se põe as mãos no chão
Os peitos a vida desafoga
Quando a morte faz sentido
No nascer de um velho novo viver
Um tanto de sentido se faz
Morro hoje
Nasço amanhã
Sobrevivo no seguinte passado
E tudo volta ao inicio
Que termina no fim do começo
Moro em algum lugar
Não moro por morrer lá
Mas é ai que percebo que moro
No peso da carcaça ambulante
Que aquela névoa do não existir
Esfria, pra carcaça não derreter
A vida que logo vem a re(viver)
E nas sensações que cortam o meio do dia
Pela presença quero Eu estar
Não pela falta
Morrer
- Shilds Oliveira
27/04/2017 – Um passeio dentro que mastiga a comida de fora, mas que engole, morre e de um vomito nasce mais uma vez.